Um Dragão na Minha Garagem

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calrsagan

A inversão do ônus a prova é uma falácia lógica que frequentemente ocorre quando um indivíduo tentar passar para outro a responsabilidade de provar a afirmação. Tais argumentativas são recorrentes em debates sobre a existência/não existência  de hipóteses, abstrações e crenças.

Para exemplificar isso, eu posso afirmar que estou escrevendo dentro de uma jaula de onças. Você poderia questionar isso, porém seria muito difícil provar, mesmo que possível. O mesmo caso é valido para a hipótese dos deuses e uma enormidade de pseudociências vigentes no mundo moderno.  Eu particularmente, poderia gastar um bom tempo de sábado a noite lembrando de situações corriqueira da inversão ao ônus. Porem lembrei de um texto do excelente livro de Carl Sagan, O mundo assombrado pelos demônios que resume tudo. O trecho, narra a hipótese de um dragão em uma garagem.

Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem.

Suponhamos que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você iria querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que oportunidade!

Mostre-me – você diz.

Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão.

Onde está o dragão? – você pergunta

Oh, está ali – respondo, acenando vagamente.

Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível. Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão

Boa ideia – digo eu –, mas esse dragão flutua no ar. Então, você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível.

Boa ideia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor. Você quer borrifar o dragão com tinta para torná-lo visível.

Boa ideia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir.

E assim por diante. Eu me oponho a todo teste físico que você propõe com uma explicação especial de por que não vai funcionar. Qual a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo, flutuante, que cospe fogo atérmico, e um dragão inexistente? Se não há como refutar a minha afirmação, se nenhum experimento concebível vale contra ela, o que significa dizer que o meu dragão existe?

A sua incapacidade de invalidar a minha hipótese não é absolutamente a mesma coisa que provar a veracidade dela. Alegações que não podem ser testadas, afirmações imunes a refutações não possuem caráter verídico, seja qual for o valor que possam ter por nos inspirar ou estimular nosso sentimento de admiração. O que eu estou pedindo a você é tão somente que, em face da ausência de evidências, acredite na minha palavra.

 Acho que o texto é extremante claro quanto acreditar nas palavras, simplesmente por acreditar, Independente do “apelo a autoridade”. Se bem que essa é outra falácia lógica, que normalmente vem junto. Bem, outro dia eu explico. Ainda é sábado e eu preciso fazer outras coisas menos desinteressantes nessa noite. Até